A literatura russa carrega consigo uma estranheza particular que parece atrair a atenção do leitor ocidental, principalmente a do brasileiro. Há nela algo capaz de ultrapassar a barreira dos milhares de quilômetros que nos separa, uma certa intensidade que desconcerta leitores acostumados com romances europeus. Quando Dostoiévski faz um personagem debater teologia por cinquenta páginas antes de cometer um assassinato, ou quando Tolstói interrompe a narrativa de Guerra e Paz para filosofar sobre história, vemos uma tradição que entende o romance como instrumento de investigação filosófica, e não apenas como ficção. A distinção é fundamental. Enquanto o romance francês ou inglês do século XIX se contentava (e isto já era muito) em retratar as idiossincrasias dos indivíduos e sua relação com a sociedade, o russo queria entender a existência humana como um problema metafísico. Daí a sensação de que esses livros exigem mais do leitor e permanecem em nós mesmo depois da leitura.
Essa ambição filosófica vem de um histórico particular. A Rússia modernizou-se tarde e de modo traumático, importando em décadas o que o resto da Europa levou séculos para assimilar. Seus escritores herdaram simultaneamente a consciência ocidental e uma tradição que lhe era estranha, produzindo essa combinação de lucidez crítica e fervor quase religioso que marca a literatura russa do século XIX. Eles escreveram sob censura, em exílio, contra o Estado, sabendo que a literatura era talvez o único espaço onde certas questões podiam ser pensadas em voz alta.
A formação da literatura russa: da tradição oral aos romances monumentais
A formação da literatura russa se deu tardiamente se comparada às tradições ocidentais. Até o século XVIII, o que existia era uma literatura religiosa vinculada à Igreja Ortodoxa e uma tradição oral eslava que permanecia praticamente intocada pela cultura letrada. A virada acontece quando Pedro, o Grande, decide europeizar o império pela força. As consequências disso foram bastante significativas. De um lado surgiu a atração pelas formas ocidentais, pela racionalidade francesa, pelo individualismo inglês. De outro, a desconfiança diante desse Ocidente, a busca por uma identidade russa que não fosse mera cópia.
A Igreja Ortodoxa deixou uma herança que vai além do conteúdo religioso explícito. Ela moldou a forma de pensar a relação entre sofrimento e redenção, entre culpa individual e salvação coletiva, que permanece operante mesmo em autores que romperam com a fé. Dostoiévski é cristão de um modo que poucos escritores ocidentais conseguiriam sê-lo depois do Iluminismo, mas Tolstói, que rejeitou a ortodoxia, mantém uma estrutura mental visivelmente moldada por ela. A ideia de que o escritor deve ser uma voz profética, de que a literatura tem uma missão salvífica, vem daí. No Ocidente, o romance secularizou-se cedo. Na Rússia, ele guardou algo da intensidade religiosa mesmo quando tratava de questões seculares.
Diversidade linguística e cultural do império russo
Tratar a literatura russa como se fosse uma tradição homogênea é simplificar um império que abarcava dezenas de povos e culturas. O que chamamos de literatura russa é, em boa medida, literatura em língua russa produzida por autores que vinham das mais diversas origens. Gógol, por exemplo, era ucraniano e começou escrevendo em ucraniano antes de migrar para o russo. Pasternak vinha de uma família judaica. Muitos dos grandes nomes eram nobres de ascendência europeia que mal falavam russo até a adolescência.
Essa diversidade não produziu uma literatura multicultural no sentido contemporâneo do termo, mas criou um ambiente produtivo. Os escritores russos tinham consciência de estar forjando uma língua literária nacional enquanto a usavam, e isso deu ao russo literário uma maleabilidade que outras línguas já consolidadas haviam perdido. Cada autor importante modificava a própria língua ao escrever. Não é exagero dizer que Dostoiévski e Tolstói escrevem em russos diferentes, que Gógol inventou uma sintaxe que só existe nos seus textos.
O papel do realismo e da crítica social
O realismo russo surge nesse contexto como algo mais urgente do que foi no Ocidente. Quando Balzac ou Dickens retratavam a sociedade, faziam-no num espaço público já consolidado, onde jornais e tribunais cumpriam sua função crítica. Na Rússia autocrática, a literatura precisava ser simultaneamente romance, jornal, tribunal e parlamento. Não bastava o escritor ser apenas um observador da sociedade; ele precisava ser uma consciência crítica entre a população, porque não haveria outra. Daí o peso moral que a literatura russa carrega. Um romance era um pronunciamento sobre o estado da nação, uma intervenção no debate público que não podia acontecer em nenhum outro lugar. Quando Turguêniev publicou Pais e Filhos, o livro foi recebido mais como manifesto político do que como ficção. Todos os lados o atacaram porque todos entendiam que aquilo era mais do que literatura no sentido estreito.
Esse realismo crítico consolidou-se como força dominante justamente quando a Rússia vivia suas crises mais agudas. A abolição da servidão em 1861, os atentados terroristas, a emergência de uma intelligentsia radical, tudo isso encontrou na literatura seu espaço de construção. Os grandes romances do século XIX russo são incompreensíveis fora desse contexto, pois são tentativas de pensar sobre essas condições, de entender o que significa modernizar uma sociedade tradicional, de perguntar se a liberdade individual pode sobreviver ao coletivismo revolucionário.
Períodos e escolas da literatura russa
Literatura clássica russa (século XIX)
Como uma tradição que mal existia produziu, em poucas décadas, Gógol, Turguêniev, Dostoiévski e Tolstói? A velocidade dessa concentração criativa tem a ver com as condições históricas de uma modernização acelerada sob autocracia.
Gógol inventou um realismo simultaneamente grotesco e satírico em Almas Mortas, narrando uma jornada pelo inferno social russo à maneira de Dante, mas queimou a continuação quando não conseguiu imaginar redenção para o país. Turguêniev foi o primeiro russo lido amplamente no Ocidente, criando em Pais e Filhos o retrato de um conflito geracional, atacado pelos dois lados por ser mediador entre culturas bastante divergentes. Dostoiévski levou a investigação psicológica a limites que poucos leitores querem acompanhar, transformando em Crime e Castigo um fait divers em tratado sobre culpa e liberdade, mostrando que o crime é consequência lógica quando Deus desaparece do horizonte, e em Os Irmãos Karamázov tentando resolver numa narrativa de família os problemas da teodiceia. Tolstói quis em Guerra e Paz conter uma época inteira, misturando centenas de personagens com teoria heterodoxa da história, e em Anna Karênina usou adultério para perguntar se felicidade individual e ordem social são compatíveis. É um desafio encaixar todos esses autores em uma escola no sentido convencional, pois estavam mais preocupados em achar respostas sobre o que significa ser russo e moderno ao mesmo tempo, num tempo em que a Rússia não existia como uma cultura unificada.
Nessa época, a aristocracia russa vivia uma crise de legitimidade que a literatura explorou sem piedade, mostrando uma classe social que já não tinha função histórica mas retinha todo o poder. A questão da fé tornou-se central justamente quando deixou de ser evidente, quando a secularização europeia chegou à Rússia e produziu uma geração incrédula mas que precisava de alguma justificação metafísica para suas revoluções. A busca da verdade aparece nesses romances como problema moral antes de epistemológico, porque saber a verdade sobre si mesmo implicava frequentemente aceitar uma culpa insuportável. A consciência individual emergiu como tema no momento em que a modernização forçava cada pessoa a escolher entre a tradição e a ruptura, entre a submissão e a revolta.
Século XX: revolução, censura e resistência
O século XX russo começa antes da revolução, com Tchekhov retratando uma classe média provinciana que vive em permanente insatisfação. Os contos de Tchekhov aboliram o enredo tradicional para mostrar vidas que transcorrem sem drama aparente mas carregam uma angústia que é tanto mais perturbadora por não ter nome. A revolução de 1917 dividiu a literatura russa entre os que aderiram ao novo regime e os que resistiram a ele. Maiakóvski tornou-se o poeta da revolução, inventando uma linguagem que tentava estar à altura do momento histórico, antes de suicidar-se quando percebeu que a revolução havia traído a si mesma. Bulgákov escreveu O Mestre e Margarida em segredo, sabendo que o livro não seria publicado enquanto vivesse, criando uma sátira fantástica do stalinismo que só veio a público décadas depois. Pasternak sofreu perseguição por Doutor Jivago, um romance que tinha a ousadia de sugerir que a vida privada importava mais que a história coletiva.
As obras desse período foram escritas sob condições que tornavam a própria existência da literatura improvável. O regime soviético, em forma de censura, exigia um realismo favorável à causa socialista, uma estética que celebrasse o trabalhador heroico e a construção do comunismo, mas os grandes escritores encontraram formas de subverter essas exigências. Os temas do século XX russo são variações sobre um problema central que é a relação entre indivíduo e coletivo. O totalitarismo soviético foi uma tentativa de reorganizar a própria subjetividade, de criar um homem novo que não tivesse interesses privados separados do interesse comum. A literatura resistiu a essa ambição mostrando personagens que insistiam em sentir o que não deviam sentir, em pensar o que não deviam pensar. O desencanto revolucionário é marca visível nessas obras, assim como a consciência de que a promessa de emancipação resultou em nova forma de servidão.
Literatura russa contemporânea
A literatura russa contemporânea enfrenta um vazio diferente do que enfrentaram as gerações anteriores. O colapso da União Soviética em 1991 deixou uma população sem rumo, sem a certeza que o regime oferecia, mas também sem a resistência que ele provocava. Liudmila Ulítskaia, romancista russa ainda em atividade, escreveu romances que mapearam as ruínas do projeto soviético, mostrando famílias que passaram décadas tentando encontrar sentido numa história que parece ter perdido a direção. Svetlana Aleksiévitch, que escreve em russo mas vem de Belarus, desenvolveu um gênero próprio que mistura reportagem e literatura, dando voz às pessoas comuns que viveram os grandes traumas do século XX, de Chernobyl às guerras no Afeganistão e na Tchetchênia.
A memória histórica tornou-se obsessão dessa literatura porque a Rússia pós-soviética não conseguiu acertar contas com o próprio passado. Diferente da Alemanha pós-nazista, que passou por um processo de confronto com seus crimes, a Rússia oscila entre nostalgia e amnésia, incapaz de decidir se o período soviético foi de grandeza ou catástrofe. Autores contemporâneos exploram essa zona de indefinição, mostrando personagens que não sabem mais em que acreditar. A crise pós-soviética é existencial, uma perda de sentido que a literatura tenta elaborar. A questão da identidade russa no século XXI permanece sem resposta, dividida entre a tentação de recuperar o status de grande potência e a percepção de que essa grandeza sempre custou sacrifícios desumanos.
Características centrais da literatura russa
A profundidade psicológica
Pode-se dizer, de modo geral, que para os autores russos a alma humana não é transparente nem para si mesma. Enquanto o romance psicológico francês do século XIX mostrava personagens que podiam ser decifrados através da narrativa, o russo insistia que há camadas de consciência que resistem à análise, que a racionalidade não governa nossas ações tanto quanto gostaríamos de acreditar. A culpa aparece nesses romances como estrutura permanente da existência; a fé e a redenção são possibilidades que rondam as narrativas sem nunca se oferecerem facilmente, porque esses autores sabiam que a fé conquistada sem luta não vale nada. A alma humana é o centro dessas narrativas porque os russos escreviam numa sociedade onde a ação política era impossível e restava apenas a literatura como espaço de liberdade.
A literatura como espelho da sociedade
Num regime autocrático onde jornais eram censurados, parlamentos não existiam ou eram decorativos, e tribunais serviam ao Estado antes de servir à justiça, a literatura precisava cumprir todas essas funções ao mesmo tempo. Um romance, para além de entretenimento ou forma de representar a sociedade, era um meio que os autores encontravam para expor suas crenças e fazer críticas que não podiam ser feitas em nenhum outro lugar. As relações de classe aparecem nesses textos com uma nitidez que vem da desigualdade extrema, da convivência entre aristocracia ociosa e campesinato servil, entre intelligentsia cosmopolita e massas analfabetas. A crítica ao Estado está presente na literatura russa mesmo quando não é explícita, porque a onipresença do Estado na vida privada tornava impossível escrever sobre qualquer coisa sem esbarrar nele. A revolução e a repressão que se seguiu criaram uma literatura de resistência que precisava ser oblíqua para sobreviver, desenvolvendo estratégias de ambiguidade que permitiam múltiplas leituras, algo parecido com o período de ditadura militar no Brasil.
Estilo: intensidade e filosofia
A intensidade estilística da literatura russa vem de autores que não viam razão para moderação quando a moderação significava falsear o pensamento. As longas frases de Tolstói e Dostoiévski, pode-se dizer, são tentativas de capturar numa única construção sintática toda a complexidade de uma consciência humana. Bakhtin identificou em Dostoiévski o que chamou de romance polifônico, onde múltiplas vozes convivem sem se subordinar a uma perspectiva autoral única, criando aquela sensação de que os personagens pensam por conta própria e frequentemente contra o autor. Os diálogos intermináveis, os monólogos interiores que se estendem por páginas, as interrupções da narrativa para debate teológico ou filosófico não são defeitos que um editor competente poderia corrigir. Diversos críticos literários consideram a carga sentimental dos romances russos como forma de conhecimento, acesso a verdades que a pura racionalidade não alcança.
Carpeaux observou que o século XIX russo foi talvez o último momento em que ainda era possível acreditar que perguntas sobre Deus, liberdade e imortalidade tinham respostas, mesmo que essas respostas precisassem ser conquistadas através de sofrimento genuíno. A tensão existencial que percorre essas obras é resposta honesta a condições históricas que tornavam impossível aceitar qualquer resposta fácil. Quando Dostoiévski interrompe a narrativa de Crime e Castigo para que Raskólnikov debata as consequências lógicas do ateísmo, ou quando Ivan Karamázov devolve o bilhete de entrada para o paraíso se este exigir o sofrimento de uma única criança, nos vemos diante de pessoas para quem essas perguntas importavam mais que a própria vida, numa tradição que recusava separar pensamento de existência, como os cartesianos.
Obras e autores essenciais da literatura russa
Estabelecer um cânone é sempre arriscado, ainda mais em um país tão prolífico como a Rússia. O século XIX concentrou em poucas décadas uma produção que outros países levaram séculos para construir, começando com Púchkin criando a própria língua literária moderna e desembocando em Tchékhov mostrando que o vazio existencial podia ser matéria narrativa. Entre esses dois pontos, Gógol inventou um realismo delirante que misturava observação social e grotesco, Turguêniev serviu de mediador entre Rússia e Europa, e Dostoiévski, junto com Tolstói, representaram duas formas incompatíveis de entender um romance.
Autores essenciais da literatura russa
Aleksandr Púchkin (1799-1837) – Fundou a língua literária russa moderna e criou o arquétipo do herói supérfluo.
Nikolai Gógol (1809-1852) – Inventou um realismo grotesco que misturava observação social e um certo delírio fantástico.
Ivan Turguêniev (1818-1883) – Serviu de mediador entre Rússia e Ocidente, retratando conflitos geracionais.
Fiódor Dostoiévski (1821-1881) – Explorou a consciência humana até limites extremos, investigando a culpa, fé e metafísica.
Liev Tolstói (1828-1910) – Criou sínteses entre vida privada e história coletiva em romances monumentais.
Anton Tchêkhov (1860-1904) – Aboliu o enredo tradicional e mostrou que o vazio podia ser matéria narrativa.
Ievguêni Zamiátin (1884–1937) – Antecipou a crítica literária ao totalitarismo soviético ao imaginar uma sociedade regida pela razão técnica absoluta, tornando-se o fundador da distopia moderna.
Boris Pasternak (1890-1960) – Defendeu a vida privada contra as exigências da história coletiva revolucionária.
Mikhail Bulgákov (1891-1940) – Escreveu sátira fantástica do stalinismo em segredo, publicada apenas postumamente.
Andrei Platônov (1899-1951) – Criou uma linguagem estranha para expressar o estranhamento diante do coletivismo soviético.
Aleksandr Soljenítsin (1918-2008) – Documentou o Gulag transformando testemunho em narrativa literária.
Liudmila Ulítskaia (1943-) – Mapeou as ruínas do projeto soviético mostrando gerações que perderam suas narrativas.
Svetlana Aleksiévitch (1948-) – Desenvolveu gênero próprio entre reportagem e literatura, dando voz às vítimas do século XX.
Obras indispensáveis da literatura russa
Eugênio Oneguin — Púchkin (1823-1831) – Criou o tipo do herói supérfluo que reaparece em toda a literatura russa posterior.
Almas Mortas — Gógol (1842) – Jornada pelo inferno social russo que ficou inacabada quando o autor não conseguiu imaginar redenção.
Guerra e Paz — Tolstói (1865-1869) – Quis juntar uma época inteira misturando centenas de personagens com teoria da história.
Crime e Castigo — Dostoiévski (1866) – Transformou um assassinato em tratado sobre culpa e liberdade quando Deus deixa de existir hipoteticamente.
Anna Kariênina — Tolstói (1877) – Usou o adultério para perguntar se felicidade individual e ordem social são compatíveis.
Os Irmãos Karamázov — Dostoiévski (1880) – Tentou resolver os problemas da teodiceia numa narrativa de família. Considerado o maior romance já escrito.
Contos de Tchêkhov (1880-1904) – Anteciparam o vazio existencial do século XX retratando vidas onde nada acontece exceto o esvaziamento de sentido.
Nós — Zamiátin (1924) – Imaginou uma sociedade regida pela razão matemática absoluta, inaugurando a distopia moderna como crítica antecipada ao totalitarismo.
O Mestre e a Margarida — Bulgákov (1928-1940) – O diabo visita Moscou stalinista e se mostra mais honesto que as autoridades locais.
Doutor Jivago — Pasternak (1957) – Sugere que grandes eventos históricos são, da perspectiva individual, catástrofes sem propósito redentor.
Um dia na vida de Ivan Denísovitch — Soljenítsin (1962) – Mostra que o totalitarismo se revela na degradação cotidiana, não nos crimes espetaculares.
Por que ler literatura russa hoje?
Desse modo, a literatura russa permanece relevante porque desenvolveu formas narrativas e filosóficas que a tradição ocidental não conseguiu replicar. Enquanto o romance europeu do século XIX separou ficção e pensamento, os russos mantiveram essa fusão até suas últimas consequências, criando obras onde a investigação psicológica é inseparável da estrutura narrativa.
Além disso, os autores do século XX, escrevendo sob censura, desenvolveram estratégias de ambiguidade e obliquidade que expandiram as possibilidades expressivas da literatura. Essa tradição continua sendo o corpus mais denso e consequente de reflexão sobre culpa, liberdade, fé e poder produzido pela literatura moderna. Grandes críticos literários como Harold Bloom, Otto Maria Carpeaux e George Steiner consideravam o século XIX russo momento único de concentração criativa comparável apenas ao teatro elisabetano ou à tragédia grega justamente porque esses textos reorganizaram o que o romance podia fazer.